A associação ambientalista Zero divulgou um estudo que mede a mobilidade urbana infantil em 36 cidades europeias - e o resultado para Lisboa está longe de ser positivo: a capital portuguesa aparece na penúltima posição do ranking. Só Sofia, na Bulgária, tem desempenho inferior.
O que o estudo avaliou
A pesquisa, realizada no âmbito da iniciativa Clean Cities Campaign, considerou três indicadores principais: a existência de “ruas escolares” (com o tráfego interrompido ou restrito nas proximidades das escolas), a porcentagem de vias com limite de velocidade de 30 km/h e a presença de ciclovias segregadas e protegidas.
Com base nesses critérios, o retrato de Lisboa é pouco animador: a cidade não tem nenhuma rua escolar, apenas 5,1% das ruas operam com limite de 30 km/h e só 6% das vias contam com ciclovias protegidas.
Como as crianças se deslocam em Lisboa
Hoje, a maior parte das crianças em Lisboa vai para a escola de carro, o que representa 43,9% dos deslocamentos escolares. Já 27,6% fazem o trajeto a pé ou de bicicleta, enquanto 25,7% utilizam transporte público. Segundo a Zero, esses percentuais praticamente não se alteraram entre 2019 e 2023.
Paris dá o exemplo - e Lisboa fica para trás
Na ponta oposta do ranking, Paris lidera a lista, seguida por Amesterdão (Países Baixos), Antuérpia e Bruxelas (Bélgica), Lyon (França) e Helsínquia (Finlândia). O bom desempenho dessas cidades é atribuído à adoção de ações relevantes para facilitar a mobilidade infantil, incluindo a implantação de ruas escolares e a ampliação de ciclovias protegidas.
A Zero ressalta que municípios que colocam as crianças no centro das políticas de mobilidade costumam ser mais inclusivos e seguros para todos. Por isso, a associação pede que as autoridades de Lisboa avancem com medidas que incentivem a mobilidade ativa das crianças com mais segurança.
Medidas simples podem fazer a diferença
O estudo também destaca que três frentes - ruas escolares, limites de velocidade mais baixos e ciclovias protegidas - podem mudar de forma significativa a mobilidade urbana infantil. Além de favorecerem saúde e autonomia, essas ações podem melhorar a qualidade do ar e diminuir o tráfego de carros.
A entidade ambiental reforça que cidades como Paris e Londres obtiveram avanços em pouco tempo graças à liderança política e à participação da comunidade. Na avaliação da associação, Lisboa tem condições de seguir o mesmo caminho, tornando-se mais segura e acessível para as crianças e, por consequência, para todos os moradores.
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