O Hotel Vila Galé, em Coimbra, recebeu o Encontro Nacional do Comércio de Automóveis Usados, iniciativa da ANECRA (Associação Nacional das Empresas do Comércio e da Reparação Automóvel). Ao longo do evento, especialistas, operadores e representantes de instituições financeiras se reuniram para colocar em pauta os principais desafios e as oportunidades do segmento.
Financiamento automotivo: juros e confiança no setor de usados
No segundo painel do dia, dedicado ao tema “O Financiamento Automóvel”, o debate se concentrou em um dos pontos mais sensíveis do negócio de usados: o crédito automotivo e como as taxas de juros afetam um setor cada vez mais exposto à instabilidade.
Representando o Credibom - líder nacional no financiamento de automóveis usados -, Henrique Henriques demonstrou otimismo com a atual estabilização das taxas, indicando que esse movimento vem ajudando a reaquecer a procura.
Paulo Jorge Figueiredo, diretor comercial da Cofidis Portugal, apontou a imprevisibilidade das taxas como o fator hoje mais crítico. Na mesma linha, João Mendes, managing director do Santander Consumer Finance, reforçou o ponto e destacou a importância da “confiança como antídoto contra a incerteza”.
Plataformas digitais e marketplaces no crédito automotivo
Também entrou na discussão o papel das plataformas digitais e dos marketplaces - uma área em que, nos últimos anos, as instituições de crédito têm feito investimentos relevantes: o Credibom, com o Piscapisca.pt, e o Santander Consumer, com o Carmine.pt.
Independentemente das estratégias, houve concordância no essencial: inovar é inevitável, mas isso não pode deixar em segundo plano o valor das relações humanas e a confiança no interlocutor.
Os carros que animam o mercado
No painel de encerramento, intitulado “Os Desafios Imediatos do Comércio de Automóveis Usados”, Pedro Bastos, diretor executivo da Car Consulting, chamou atenção para a solidez do mercado de luxo. Já Gentil Pereira, diretor geral da Carplus, ressaltou o aumento da procura por elétricos - ainda que com uma gestão cautelosa do estoque.
Tânia Azenha, diretora financeira da Hemoauto, foi direta: o risco de desvalorização dos elétricos usados existe e o setor precisa se preparar. A Ayvens, maior operador de remarketing em Portugal, confirmou o cenário: as frotas estão gerando um volume cada vez maior de veículos eletrificados, e nem todos os operadores estão dispostos a absorvê-los.
Outro assunto que ganhou destaque nesse painel foi, possivelmente, a nova política de preços do Standvirtual.
Nuno Castel-Branco, diretor-executivo da plataforma líder em Portugal, reconheceu que a mudança - resultado de um alinhamento internacional da plataforma - trouxe instabilidade ao mercado. Ainda assim, garantiu que o processo de escuta junto à ANECRA permitiu corrigir parte dos desajustes e adaptar a iniciativa às especificidades do mercado português.
Falta de mão de obra
Além dos temas econômicos e tecnológicos, o mercado de usados convive com outro desafio relevante: a falta de mão de obra. A carência de profissionais qualificados foi citada por 48% dos entrevistados como o principal obstáculo ao crescimento.
Como reação, 27% das empresas estão abrindo oficinas próprias, enquanto 17% estão investindo em serviços como lavagens e recondicionamento, com o objetivo de diversificar receitas e melhorar a rentabilidade.
Mesmo assim, o clima é de confiança: quase metade dos operadores acredita que 2025 será um ano melhor do que 2024, com mais estoque, mais dinamismo e uma base mais sólida para crescer.
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