A TotalEnergies encerrou o seu mecanismo de teto para o preço da gasolina a 1,99 €/L. Com isso, os valores voltam a seguir o mercado nas 3 300 estações da rede - com exceção de um grupo específico de clientes, que mantém o benefício ao longo do ano.
Como funcionava o teto de preços da TotalEnergies
A iniciativa tinha sido anunciada em 12 de março, no auge da disparada das cotações provocada pelo bloqueio do estreito de Ormuz, e trouxe um alívio temporário para quem dirige. Na época, a TotalEnergies fixou a gasolina em 1,99 €/L e o diesel em 2,09 €/L em todas as suas 3 300 estações na França metropolitana.
A medida rapidamente inspirou outras empresas, mas também expôs a TotalEnergies ao efeito colateral do próprio sucesso: filas muito longas, falta de combustível em alguns pontos e outros problemas operacionais.
Por que a TotalEnergies conseguiu segurar os preços
Como a empresa conseguiu sustentar uma oferta desse tipo? Para Francis Pousse, representante dos distribuidores no sindicato Mobilians, a TotalEnergies é a última companhia petrolífera a controlar toda a cadeia, da extração até a bomba. Essa integração dá uma vantagem que os concorrentes - obrigados a comprar combustível em um mercado superaquecido - não conseguem igualar.
Quem ainda mantém o teto de 1,99 €/L na TotalEnergies
Como já havia indicado, a TotalEnergies encerra hoje o dispositivo para o público em geral. Ainda assim, o fim do teto para a maioria não significa que a oferta desapareceu por completo. Na prática, a TotalEnergies segue com a proposta, mas com critérios mais restritos.
Para continuar a ter preços limitados depois de 7 de abril, agora é necessário ter dois contratos de energia (gás e eletricidade) com a TotalEnergies - apenas um contrato deixou de ser suficiente. Esses clientes com gás + eletricidade mantêm, portanto, um teto de 1,99 €/L, considerando todos os combustíveis, e esse limite cairá para 1,94 €/L a partir de 17 de abril. Esperto.
O governo entre dois fogos
O recuo parcial do “escudo” da TotalEnergies ocorre em um momento particularmente desconfortável para o governo. Segundo números divulgados por David Amiel, ministro da Ação e das Contas Públicas, em 3 de abril na franceinfo, a arrecadação extra de impostos associada à alta dos combustíveis chegou a 270 milhões de euros em março (120 milhões de TVA, 150 milhões de accises).
Esse dado alimenta a acusação de inércia, mas não retrata toda a situação. O governo avalia que o aumento das taxas de juros, ligado à crise, elevará o custo da dívida em 3,6 bilhões de euros apenas em 2026. Assim, na conta líquida, o ganho fiscal fica amplamente anulado.
Do lado do primeiro-ministro Sébastien Lecornu, foi mencionada a possibilidade de ajudas “direcionadas” para compensar a alta. David Amiel, porém, tratou de reduzir as expectativas: “2026 não será 2022, não dá para anunciar bilhões de euros que, na prática, não temos nem o começo de um centavo.” Vale lembrar que o desconto da TotalEnergies em 2022 custou ao grupo cerca de 600 milhões de euros.
E agora?
Enquanto a crise no Oriente Médio continuar pressionando as cotações do petróleo, o preço nos postos deve permanecer elevado. O diesel alcançou um recorde na França desde pelo menos 1985, e o SP95-E10 subiu cerca de 25 centavos desde o início dos ataques ao Irã no fim de fevereiro. Sem um escudo privado e sem uma ajuda pública de grande porte, motoristas franceses entram em uma turbulência sem precedentes.
O risco para o orçamento das famílias vai além do combustível: a economia como um todo tende a pressionar os gastos. Economistas projetam aumento generalizado de produtos, especialmente itens essenciais. Além do combustível, alimentos e energia podem ficar mais caros para os franceses. Se o barril chegar a 200 dólares, analistas estimam uma alta das despesas de aproximadamente 400 euros por mês.
Uma situação que o governo parece ter dificuldade em dimensionar. Enquanto vizinhos europeus adotam políticas para proteger o poder de compra de seus cidadãos, a França, por sua vez, se fecha em um sistema pouco eficiente, escondendo-se atrás da impossibilidade de repetir uma política do “custe o que custar”. Mesmo que isso faça as tensões sociais se intensificarem…
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