Já faz tempo que o futuro da SEAT virou tema de debate e especulação. Nos últimos anos, circularam rumores e interpretações apontando para um possível desaparecimento da marca para abrir espaço à CUPRA - e, vale lembrar, a liderança da fabricante nunca tratou de negar isso de maneira totalmente categórica.
Para completar, a estratégia recente da empresa-mãe (SEAT S.A.), ao concentrar quase toda a atenção na expansão da CUPRA - com resultados inegavelmente muito positivos -, acabou reforçando as incertezas em torno do que viria a acontecer com a SEAT. Ainda assim, no ano passado, a marca finalmente voltou a dar sinais concretos de continuidade.
Markus Haupt, diretor-executivo da fabricante, afirmou que a SEAT segue como um pilar essencial do grupo, que há novos produtos previstos e que a marca está pronta para encarar os desafios do setor em 2026 e nos anos seguintes.
Ibiza e Arona com argumentos renovados para 2026
A reestilização de Ibiza e Arona foi o primeiro indício claro de que a SEAT não pretende sair de cena. As gerações atuais, apresentadas em 2017, já tinham passado por uma atualização em 2021 e agora recebem a segunda.
Os modelos já estão à venda em Portugal (com linha e preços definidos), e as mudanças mais evidentes ficam principalmente na parte visual. Confira as nossas primeiras impressões ao volante:
Mudanças de 2026 e o que ainda falta chegar
As novidades, porém, não param por aí - só que a maior delas vai exigir paciência até 2027: a chegada de motorizações mild-hybrid 48 V. Trata-se do nível mais leve de eletrificação, e a dúvida que permanece é qual motor será adotado: o 1.5 eTSI de quatro cilindros, que já aparece em vários modelos do Grupo Volkswagen, ou o 1.0 eTSI, que voltou ao radar e já equipou carros como o Volkswagen Golf.
Até que essa definição seja confirmada, Ibiza 2026 e Arona 2026 seguem com os já conhecidos 1.0 MPI, 1.0 TSI e 1.5 TSI, com potências entre 80 cv e 150 cv.
Novo Leon a caminho
Se, para 2026, a atualização de Ibiza e Arona concentra as novidades mais imediatas da SEAT, a marca espanhola também comunicou planos para o restante da década. E o foco, em grande medida, gira em torno do Leon, que continuará na linha ao mesmo tempo em que existe o Leon da CUPRA.
Roteiro da SEAT para o Leon até 2029
A geração atual, já com seis anos de mercado, vai ganhar um reforço relevante: uma motorização híbrida (full hybrid) que dispensa recarga na tomada.
Esse conjunto será exatamente o mesmo sistema full hybrid que o Volkswagen T-Roc vai estrear em 2027. A receita combina o motor a gasolina 1.5 TSI com um motor elétrico, com dois patamares de potência previstos: 136 cv e 170 cv. No caso do Leon, porém, a chegada está programada apenas para 2028.
Próxima geração em 2029: SSP e MQB Evo
Depois disso, em 2029, entra em cena uma nova geração do Leon - ainda cercada de poucas informações. Tudo aponta que ele deve seguir a estratégia do «primo» Golf, que passará a existir em duas frentes: um modelo 100% elétrico baseado na nova plataforma SSP e outro a combustão (com eletrificação parcial), apoiado na plataforma atual MQB Evo.
Os espanhóis devem aplicar a mesma lógica, mas distribuindo os papéis entre as duas marcas, CUPRA e SEAT. A CUPRA ficaria com o Leon 100% elétrico (SSP), enquanto a SEAT manteria o Leon a combustão (MQB Evo). A única certeza, por enquanto, é o uso de motorizações a combustão parcialmente eletrificadas (mild hybrid, full hybrid e híbrida plug-in).
A SEAT, inclusive, está entre as poucas marcas que ainda não oferecem um modelo 100% elétrico na própria linha - e tudo indica que isso deve continuar assim nos próximos anos. Os executivos não descartam totalmente a possibilidade, mas, se acontecer, provavelmente só na próxima década.
Se o planejamento anunciado aponta para uma SEAT ativa até a próxima década, resta saber se isso será suficiente.
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