Quatro décadas depois de a sigla GTI ter surgido com o inesquecível 205 GTI, a marca francesa volta a apostar em um esportivo compacto com o novo Peugeot E-208 GTi.
E a apresentação não poderia ter sido em um cenário mais simbólico: as 24 Horas de Le Mans, que acontecem neste fim de semana, onde a Peugeot também marca presença com o 9X8. Nós estivemos por lá e vimos ao vivo, em estreia mundial, o novo “criança terrível” de Sochaux.
As três letras que tantas vezes alimentaram o imaginário dos entusiastas tinham desaparecido no fim de 2020, com o encerramento da produção do 308 GTI - muito por conta das emissões e do avanço da eletrificação. A ironia (ou talvez nem tanto) é que o retorno acontece justamente com um modelo 100% elétrico.
Aos poucos, cresce a esperança de que o segmento dos esportivos pequenos volte a ter a força que já teve.
Temos visto algumas marcas tentando reacender essa chama, quase sempre apostando na eletrificação total. Depois do Alfa Romeo Junior Veloce e do Abarth 600e - ambos da Stellantis -, a Alpine também pegou o Renault 5 e o transformou no A290, um “foguete de bolso” francês que promete ser o principal rival do E-208 GTI.
Os números do primeiro GTi elétrico
Usando os mesmos componentes do Alfa Romeo e do Abarth, as especificações são praticamente as mesmas: motor dianteiro com 280 cv de potência e 345 Nm de torque. A aceleração de 0 a 100 km/h acontece em apenas 5,7s, enquanto a velocidade máxima fica limitada a 180 km/h.
No caso da bateria que alimenta o Peugeot E-208 GTi, ela também segue a mesma receita. Trata-se de uma bateria de íons de lítio da CATL com 54 kWh, com autonomia declarada de 350 km (ciclo WLTP).
As potências máximas de recarga ainda não foram divulgadas, mas, considerando outras propostas da Stellantis que usam essa mesma solução, é razoável esperar carregamento de até 11 kW em corrente alternada (AC) e de até 100 kW em corrente contínua (DC).
É muito mais que um E-208?
Agora, o que realmente importa neste retorno da Peugeot ao universo dos “foguetes de bolso” - onde a marca já foi referência - é entender o que de fato muda em relação a um Peugeot 208 “convencional”.
Para garantir não apenas uma presença mais marcante, mas também um comportamento dinâmico superior, a Peugeot Sport promoveu uma série de alterações: bitolas aumentadas em 56 mm na dianteira e 27 mm na traseira, suspensão com batentes hidráulicos e 30 mm mais baixa, barra estabilizadora traseira e diferencial autoblocante.
Na parte de freios, há discos dianteiros de 355 mm com pinças de quatro pistões. Além disso, as rodas de 18” usam pneus Michelin Pilot Sport Cup 2 e buscam recriar o visual das rodas “furadas” do icônico 205 GTI - uma espécie de homenagem à lenda.
O vermelho da carroceria, exclusivo deste 208 GTi elétrico, também foi escolhido para remeter ao 205 GTI. O mesmo tom aparece em detalhes na grade, emblemas, faróis, pinças de freio e nos arcos das rodas.
Por dentro, a proposta segue a mesma linha: detalhes em vermelho em tapetes, cintos e bancos ajudam a construir um ambiente mais esportivo.
Isso também se reflete nos grafismos e nas cores dos painéis digitais, além de páginas de desempenho específicas no sistema de infoentretenimento i-Connect Advanced. Há ainda um som esportivo inspirado em motor a combustão, como já vimos em outras propostas.
Quando chega?
As encomendas começam no início de 2026. O que a Peugeot faz questão de deixar claro, porém, é que este E-208 GTi inaugura uma nova fase - e não deve ser o último. E isso nos agrada bastante, independentemente do tipo de solução mecânica.
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