Em breve, os incentivos para a compra de automóveis elétricos nos Estados Unidos da América (EUA) devem deixar de existir.
Na última terça-feira, o Senado norte-americano deu luz verde a um pacote fiscal associado a Donald Trump, que acaba com os benefícios fiscais destinados à aquisição de veículos elétricos.
Se nada for alterado até lá, a partir de 30 de setembro deixarão de estar disponíveis apoios de até 7500 dólares (6369 euros) para carros elétricos novos e de até 4000 dólares (3396 euros) para carros elétricos usados.
No caso dos veículos novos, esses apoios existem desde 2008 e tinham sido estendidos pelo ex-presidente Joe Biden até 2032, com base na Inflation Reduction Act (Lei de Redução da Inflação). Agora, porém, essa prorrogação está prestes a ser interrompida.
“Se querem comprar um elétrico - novo, usado ou em regime de leasing (aluguer) - agora é a altura certa”, alertou Ingrid Malmgren, diretora sênior de políticas da Plug In America, uma organização sem fins lucrativos que defende uma transição mais rápida para os carros elétricos.
O que esperar daqui para a frente?
Ao longo dos próximos três meses, analistas apontam para uma alta relevante nas vendas de elétricos, puxada por uma “compra antecipada” antes do encerramento dos incentivos.
“Este será o verão dos elétricos, porque após setembro os incentivos terão desaparecido”, acrescentou Malmgren.
De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), as vendas de veículos elétricos nos EUA chegaram no ano passado a 1,6 milhões de unidades, com a participação de mercado passando de 10%. Só no primeiro trimestre deste ano, foram comercializados mais de 360 mil elétricos, um avanço acima de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Ainda assim, se a orientação atual for mantida, a expectativa é de uma queda forte nas compras de elétricos a partir do quarto trimestre deste ano.
Incentivos para reduzir emissões
A finalidade desses incentivos sempre foi direta: cortar as emissões de gases de efeito estufa no país, tornando os elétricos mais viáveis financeiramente frente aos modelos a combustão. Nos EUA, a indústria automobilística responde por 28% dos gases de efeito estufa gerados pelo país.
Como comparação, em maio o preço médio dos elétricos ficou em torno de 57 700 dólares (49 mil euros) - antes de considerar os incentivos -, segundo a Kelley Blue Book. Já os carros a combustão tinham preço médio de 48 100 dólares (40 850 euros). E, embora a diferença entre as duas tecnologias venha diminuindo, os incentivos foram decisivos para encurtar essa distância.
“Os incentivos têm um papel fundamental para acelerar o ponto de equilíbrio entre os veículos elétricos e os veículos a gasolina”, disseram investigadores da Universidade do Michigan no ano passado.
Ainda há esperança?
Mesmo com o término dos incentivos federais, especialistas ressaltam que determinados estados e municípios podem continuar oferecendo benefícios fiscais próprios, o que tende a reduzir o impacto para consumidores dessas regiões.
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