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Håkan Samuelsson defende que a União Europeia reduza tarifas sobre carros importados dos EUA

Carro elétrico Volvo cinza estacionado em ambiente interno moderno com janelas grandes e gráficos ao fundo.

O CEO da Volvo, Håkan Samuelsson, argumentou que a União Europeia (UE) deveria diminuir as tarifas aplicadas a carros importados dos EUA.

Tarifas entre UE e EUA e a visão de Håkan Samuelsson (Volvo)

Nos últimos meses, o clima comercial entre os dois lados do Atlântico tem se deteriorado com a adoção de tarifas extras pelos EUA. No centro do impasse está a diferença de alíquotas: enquanto os norte-americanos cobravam 2,5% sobre automóveis europeus importados, a UE aplicava 10% sobre os veículos vindos dos EUA.

Para Samuelsson, esse desequilíbrio não se sustenta. “Se a Europa é a favor do comércio livre, devemos ser nós a dar o exemplo e a reduzir primeiro as tarifas para níveis muito baixos”, disse à Reuters. Ele também reforçou: “A indústria automóvel europeia não precisa definitivamente de qualquer proteção contra os construtores americanos.”

Hoje, carros europeus já entram nos EUA com uma tarifa combinada de 27,5% (25% adicionais aos 2,5% anteriores). Recentemente, Donald Trump, presidente dos EUA, ameaçou elevar esse percentual para 30% a partir de 1 de agosto, caso as duas potências não cheguem a um acordo.

Números da Volvo em queda

As falas de Samuelsson chegam em um momento complicado para a Volvo. No segundo trimestre, a montadora sueca registrou um prejuízo operacional de 10 mil milhões de coroas suecas (888 milhões de euros à taxa de câmbio atual), refletindo tanto o impacto das tarifas quanto o atraso no lançamento de novos modelos.

No acumulado do semestre, as perdas somam 15 mil milhões de coroas suecas (1,3 mil milhões de euros), enquanto a margem operacional recuou de 14,2%, no primeiro semestre de 2024, para 9,5% no primeiro semestre de 2025.

Mudança no comando

Os desafios, porém, não foram exatamente uma surpresa. No fim de março, Jim Rowan foi retirado do cargo de diretor-executivo, função que exercia desde 2022, e Samuelsson deixou a aposentadoria para voltar a liderar a empresa, posto que já havia ocupado entre 2012 e 2022.

Exposição maior às tarifas dos EUA

Sob controle da chinesa Geely, a Volvo está entre as marcas europeias mais vulneráveis às tarifas dos EUA, já que a maior parte dos modelos vendidos por lá é fabricada na Europa. Além das tarifas sobre os automóveis, a empresa também lida com uma taxa de 25% sobre peças e componentes importados.

Produzir mais nos EUA

Como reação, a Volvo pretende ampliar a produção de modelos em território norte-americano. A montadora mantém uma fábrica na Carolina do Sul, onde hoje é feito o EX90 (junto com o Polestar 3). Agora, o plano é começar a produzir também o XC60 nos EUA no fim de 2026 - até aqui, o XC60 vendido no mercado americano era importado da Suécia.

Vale lembrar que o XC60 é o carro mais vendido da marca globalmente e também lidera as vendas da Volvo nos EUA. Uma nova geração totalmente elétrica está perto de ser apresentada, mas a geração atual, com motores a combustão, seguirá em comercialização e passou por uma atualização recente.

“Estas são as únicas medidas que nós conseguimos controlar, já relativamente às tarifas nós só podemos ter uma opinião, como a restante indústria”, afirmou o executivo.

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