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Tesla Model S pode virar clássico? Visão do Museu do Caramulo no Caramulo Motorfestival

Carro esportivo verde Tesla modelo Future Classic exposto em salão moderno com carro clássico ao fundo.

Salvador Patrício Gouveia, integrante da diretoria do Museu do Caramulo, acredita que não é absurdo imaginar que um dos primeiros Tesla Model S, de 2012, possa ser visto como um clássico daqui a 20 anos - ainda que, para muita gente, isso pareça improvável.

A opinião foi dada no episódio mais recente do podcast Auto Rádio, no qual ele também falou sobre a 20ª edição do Caramulo Motorfestival - marcada para a próxima semana - evento do qual foi um dos fundadores.

Tesla Model S e a possibilidade de virar clássico

Ao ser questionado se os elétricos atuais podem entrar, no futuro, no universo dos clássicos, Gouveia lembrou que a tecnologia não é exatamente nova: “o automóvel elétrico foi interrompido, não nasceu agora. Já andava aí e chegou quase a ser dominante face ao automóvel a combustão”.

Com esse pano de fundo, ele sustenta uma visão confiante sobre o que pode acontecer nas próximas décadas: “Daqui a 20 anos vai haver o clube dos Tesla, com clássicos de 30 anos”.

Museu do Caramulo e o Caramulo Motorfestival na eletrificação

A ideia abre caminho para uma pergunta natural: será que, por isso, um carro elétrico pode entrar no acervo do Museu do Caramulo? Segundo Gouveia, essa vontade já existe faz tempo: “Já há muitos anos tentamos arranjar um automóvel elétrico, mas dos primeiros”. Para ele, esses modelos fazem parte da própria história do automóvel.

No Caramulo Motorfestival, a postura também é clara. De acordo com Salvador Patrício Gouveia, “é um festival que abraça a eletrificação”, citando a participação de modelos elétricos em edições anteriores - e ressaltando que, neste ano, a presença deverá se repetir.

Como o “som” (ou a falta dele) muda de geração para geração

Sobre a mudança de percepção do público ao longo do tempo, ele comentou: “O barulho faz um pouco de falta na nossa geração, mas a geração anterior sentia falta do fumo a sair do escape. Eu já não sinto falta do fumo e a nova geração não vai sentir falta do som. É uma questão de recalibrar o que é a natureza dos automóveis em cada geração.”

Ainda assim, Gouveia enxerga um paralelo inevitável entre passado e futuro: “O futuro é tão curioso quanto o passado. Um automóvel que parecia super recente há uns anos atrás agora é considerado antigo. Em poucos anos vamos olhar para os carros modernos e pensar o mesmo. Quem sabe, um dia, teremos o primeiro Tesla ou outro modelo icónico que tenha sido marcante para a indústria. Porque não?”, concluiu.

Quando surgiu o primeiro elétrico?

A trajetória dos automóveis elétricos é praticamente tão antiga quanto a dos modelos a combustão e remete ao século XIX. Em 1888, apareceu o primeiro carro elétrico reconhecido como tal, o Flocken Elektrowagen, desenvolvido pelo inventor alemão Andreas Flocken. Já o primeiro carro a combustão oficialmente reconhecido, o Benz Patent-Motorwagen, de Karl Benz, é de 1886.

Antes desses marcos, porém, há registros de outras tentativas - tanto elétricas quanto a combustão - que não passaram de experiências.

Na passagem do século XIX para o XX, os veículos elétricos chegaram a ser tão bem-sucedidos quanto (ou até mais do que) os modelos a combustão. Na década de 1890, por exemplo, já existiam táxis elétricos, incluindo um que ficou conhecido porque seu motorista se tornou o primeiro condutor da história a ser multado por excesso de álcool.

Gouveia também apontou um exemplo do universo das competições: “Na primeira corrida na América, no início do séc. XX, dos primeiros cinco carros que ganharam, quatro eram elétricos”. Mas, em 1908, o Ford Model T entrou em cena - e mudou as regras do jogo.


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