Apesar de o Grupo Volkswagen estar apresentando números positivos no segmento de veículos elétricos - com três de suas marcas entre as 10 mais vendidas da Europa em agosto e com a Volkswagen na liderança do mercado europeu -, o desempenho não foi suficiente para sustentar o ritmo de produção que havia sido planejado.
Para reagir a uma demanda abaixo do esperado, o grupo informou que vai interromper a produção em várias fábricas na Alemanha, unidades responsáveis por fabricar modelos das marcas Volkswagen, Audi e CUPRA.
Paradas de produção nas fábricas alemãs da Volkswagen, Audi e CUPRA
A primeira unidade a ter as atividades suspensas será a fábrica de Zwickau, a partir de 6 de outubro, por uma semana. É lá que sai o Audi Q4 e-tron, cuja demanda foi impactada pelo efeito das tarifas norte-americanas.
A fábrica de Dresden, onde é montado o Volkswagen ID.3, também terá a produção pausada por uma semana em outubro. Um porta-voz do grupo explicou que “a empresa está ajustando seu calendário de produção à situação atual do mercado”.
Em Emden, local de produção dos Volkswagen ID.4 e ID.7, a jornada dos trabalhadores será reduzida e está prevista a paralisação de linhas de montagem por vários dias, segundo a Bloomberg.
Hanôver e Osnabruque: ajustes e incerteza
Outras unidades afetadas incluem Hanôver, que fabrica o ID.Buzz e a T7 Multivan, com uma interrupção de cinco dias. Já em Osnabruque, a produção será encurtada semanalmente até o fim do ano, além de já estar prevista uma semana inteira de suspensão em outubro.
O futuro dessa fábrica dentro do Grupo Volkswagen ainda não está definido. A empresa pretende encerrar nessas instalações a produção do T-Roc cabrio, do Porsche Cayman e do Porsche Boxster, mas também avalia cenários alternativos.
Problemas no paraíso
No fim de 2024, o Grupo Volkswagen e o sindicato IG Metall fecharam um acordo para reduzir a capacidade produtiva na Alemanha em cerca de 730 mil unidades, movimento que deve resultar na eliminação de 35 mil postos de trabalho até 2030.
A decisão veio depois de negociações intensas que se estendiam desde setembro, período em que milhares de funcionários aderiram a greves, protestando contra cortes salariais e contra o risco de fechamento de fábricas, elevando a pressão sobre a direção da companhia.
Dentro desse plano, já estavam previstos o encerramento da fábrica de Dresden ainda este ano e o fechamento da unidade de Osnabruque em 2027. Em janeiro, montadoras e representantes do governo chinês demonstraram interesse nessas instalações, mas, até o momento, não foram anunciadas negociações.
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