A Tesla decidiu abandonar o plano ambicioso que vinha traçando para evoluir a técnica de produção conhecida como gigacasting, segundo a Reuters, que cita “duas fontes familiarizadas com o processo”.
O que é o gigacasting e por que a Tesla apostou nisso
A Tesla tem sido uma das principais responsáveis por popularizar o gigacasting na indústria automotiva - um método que usa prensas capazes de aplicar milhares de toneladas de pressão para fundir e moldar grandes seções da parte inferior de um veículo.
No Model Y, por exemplo, essa abordagem permite que a estrutura dianteira seja produzida como uma peça única, assim como toda a seção traseira. Na prática, isso ajuda a racionalizar recursos na fabricação, encurtar etapas na linha de montagem e, naturalmente, contribui para um impacto positivo no preço final.
Plataforma NV9X e o “Next Gen Vehicle”
Apesar dos ganhos já obtidos, a Tesla queria ir além. Para o cobiçado “Next Gen Vehicle” (categoria que incluía o Model 2 - posteriormente cancelado -, o robô-táxi e vários outros modelos), a empresa passou a trabalhar em uma plataforma totalmente nova, batizada de “NV9X”.
Com essa base, e como a marca havia comunicado durante o Tesla Investor Day 2023, a Tesla comandada por Elon Musk prometia custos de produção 50% menores do que os do Model 3 e do Model Y. Seria um avanço importante, previsto para acontecer graças a novos desenvolvimentos do gigacasting, que permitiriam transformar toda a seção inferior do carro em uma única peça.
Tesla mantém solução de três seções no assoalho
Ainda assim, de acordo com a Reuters, a empresa optou por não seguir com esse caminho e vai permanecer com o método considerado “tradicional” já aplicado no Model Y e na Cybertruck, que prevê três seções inferiores.
Dessa forma, as partes dianteira e traseira continuarão sendo fabricadas via gigacasting, enquanto a porção central - onde a bateria fica instalada - seguirá sendo produzida com alumínio e ferro.
Até o momento, a Tesla não publicou nenhum posicionamento oficial sobre o assunto. As fontes ouvidas pela Reuters afirmam que essa definição ocorreu “no outono do ano passado”, antes mesmo da decisão de abandonar o desenvolvimento do elétrico de 25 mil euros (que, ao que tudo indica, se chamaria Model 2), divulgada em abril de 2024.
Segundo a agência, o motivo para “riscar” o modelo menor e mais acessível da linha estaria ligado a uma aposta mais firme no projeto do robô-táxi, que Elon Musk já confirmou que será apresentado no próximo dia 8 de agosto.
Tesla sob pressão
O recuo nessa nova geração da tecnologia de gigacasting acaba funcionando como mais um indicativo de desaceleração da montadora norte-americana, que, pela primeira vez em quatro anos, registrou queda nas vendas no primeiro trimestre do ano.
Além disso, veio à tona recentemente que a empresa vai demitir 10% dos seus trabalhadores - o que equivale a aproximadamente 140 000 funcionários - e que toda a equipe responsável pela divisão dos Tesla Superchargers (cerca de 500 pessoas, segundo o Financial Times) acabou de ser cortada.
No fim das contas, investir em uma evolução do gigacasting deixou de ser prioridade, já que exigiria um aporte elevado por parte da Tesla - um investimento cujos resultados só apareceriam mais adiante.
Fonte: Reuters
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