Tanto o Scala quanto o Kamiq 2024 trazem apenas motores 100% a gasolina, sem qualquer traço de assistência elétrica. E, na prática, isso não fez falta.
O carro vive uma fase de transição acelerada rumo à eletrificação completa, mas a dupla da Skoda - Scala e Kamiq - parece seguir por outro caminho.
Depois do facelift, um dos pontos que mais chama a atenção é justamente a inexistência de qualquer opção com auxílio elétrico.
Isso acontece mesmo com a maioria dos rivais já oferecendo motorizações de híbrido leve, híbridas e até alternativas 100% elétricas. Ainda assim, não se trata de teimosia da Skoda: a marca tcheca já conta, na gama, com modelos híbridos plug-in e também totalmente elétricos.
A explicação para a ausência de eletrificação no Scala e no Kamiq 2024 pode ser resumida em um fator: a plataforma MQB A0. Ela serve de base para diversos modelos do Grupo Volkswagen, mas, por enquanto, não abre espaço para nenhum tipo de eletrificação. Em compensação, essa escolha não impede que os dois atendam às normas de emissões em vigor e ainda ajuda a manter um posicionamento de preço mais competitivo - embora isso não se aplique a todas as versões, como fica claro mais adiante.
Feita essa observação, há, sim, novidades na parte mecânica: Scala e Kamiq 2024 passam a adotar a evolução mais recente do bloco EA211 - a família de motores 1,0 l (três cilindros) e 1,5 l (quatro cilindros) do Grupo Volkswagen - agora na geração evo2.
No 1.0 TSI, as mudanças são várias (ver caixa) e a variante mais forte ficou ainda mais forte, passando a declarar 116 cv, ou seja, mais 6 cv do que antes. Já o 1.5 TSI permanece com 150 cv, mas o sistema de desativação de cilindros (ACT+) foi retrabalhado para operar com maior suavidade.
Motorizações disponíveis em Portugal:
- 1.0 TSI - 95 cv e 175 Nm, câmbio manual de 5 marchas;
- 1.0 TSI - 116 cv e 200 Nm, câmbio manual de 6 marchas;
- 1.0 TSI - 116 cv e 200 Nm, câmbio automático de 7 marchas (DSG);
- 1.5 TSI - 150 cv e 250 Nm, câmbio automático de 7 marchas (DSG).
O que mais mudou?
Além dos avanços na mecânica, os Skoda Scala e Kamiq 2024 ganharam atualizações visuais por fora, bem como melhorias de tecnologia e materiais por dentro.
Externamente, as mudanças aparecem principalmente na dianteira: os dois passam a ter novos para-choques e novos conjuntos ópticos em LED (de série). Pela primeira vez, pode-se optar por LED Matrix, que permite, por exemplo, rodar com farol alto sem o risco de ofuscar quem vem no sentido contrário.
Na cabine - que é compartilhada pelos dois modelos -, o desenho básico continua o mesmo de antes, mas agora todo Scala e todo Kamiq sai de fábrica com duas telas de 8”: uma dedicada ao painel de instrumentos e outra ao sistema de infoentretenimento. O quadro de instrumentos pode subir para 10,25” (Virtual Cockpit), enquanto a central multimídia pode chegar a 9,2” quando se escolhe o pacote de navegação.
O que muda de forma mais perceptível são as combinações de cores e os materiais, descritos pela marca como mais “amigos do ambiente”. Nos Skoda Scala e Kamiq 2024, passa a ser possível escolher até cinco ambientes Design Selection - Loft, Lodge, Dynamic, Suite e um exclusivo da versão Monte Carlo.
A segurança também foi reforçada, tanto no lado passivo quanto no ativo. No primeiro, passam a estar disponíveis (como opcional) um airbag para os joelhos do motorista e airbags laterais traseiros.
Na parte ativa, entram o Easy Light Assist (faróis automáticos) e o sistema de monitoramento da pressão dos pneus (TPM+). Além disso, tanto no Scala quanto no Kamiq passam a ser itens de série o controle de cruzeiro com limitador de velocidade e os faróis de neblina em LED. Ao escolher o Travel Assist, o controle de cruzeiro passa a operar de forma adaptativa/preditiva.
Ao volante
Assim que me sentei ao volante - primeiro no Kamiq -, a sensação foi, como esperado, de grande familiaridade, já que não houve uma mudança radical. Ainda assim, dá para perceber um ganho no conforto percebido a bordo graças aos novos revestimentos.
Encontrar uma boa posição para dirigir é simples: o banco (com ajuste elétrico no carro avaliado) e o volante oferecem ampla faixa de regulagens. Como já era o padrão, a montagem transmite robustez e não surgem ruídos parasitas.
As condições deste primeiro contato dinâmico ficaram longe do ideal. Em Frankfurt, onde ocorreu a apresentação, a chuva foi constante, com vento junto (afinal, era inverno). Mesmo assim, nada disso representou dificuldade para Scala e Kamiq.
Quando o roteiro seguia para as rápidas autobahns, os destaques continuaram a ser a estabilidade e o bom nível de isolamento acústico.
Não houve alterações no acerto do chassi - infelizmente, nem mesmo nas versões Monte Carlo, onde seria natural alinhar melhor a dirigibilidade com o apelo visual mais esportivo. Com isso, permanece o equilíbrio entre conforto e comportamento dinâmico que já caracterizava os dois. Eles estão longe de ser os mais empolgantes para “brincar” em estradas, mas também não são “criaturas” apáticas.
150 cv souberam a pouco
Houve tempo para dirigir o 1.5 TSI de 150 cv e o 1.0 TSI de 116 cv nos Scala e Kamiq 2024, com uma observação importante. No caso do Kamiq 1.5 TSI, o carro estava com câmbio manual - combinação que não é oferecida em Portugal. Já o Scala 1.0 TSI vinha com a DSG.
No fim, o 1.0 TSI do Scala agradou mais do que o 1.5 TSI, e a “culpa” muito provavelmente é do câmbio DSG. Com o 1.5 TSI e caixa manual, ficou clara a falta de fôlego abaixo das 2000 rpm, o que forçou a recorrer às trocas de marcha mais vezes do que o desejável. Os 150 cv pareceram pouco.
Por outro lado, o novo 1.0 TSI de 116 cv com DSG convenceu. Ele se mostrou consistentemente mais esperto e disposto. Embora o percurso tenha sido relativamente curto - pouco mais de meia centena de quilômetros - e feito quase sempre em vias rápidas e autobahn, o consumo abaixo de seis litros aumenta as expectativas para um contato mais longo em Portugal.
De toda forma, tanto o Scala quanto o Kamiq deixaram claro que ainda não terem embarcado no “trem” da eletrificação não os torna menos competitivos.
Eles seguem como ótimas opções para quem busca um carro familiar - no Scala, em especial, o espaço interno para passageiros e bagagens continua sendo um dos maiores trunfos -, têm a tecnologia necessária para manter a conectividade e entregam tudo isso com custos razoáveis.
Os Scala e Kamiq 2024 em Portugal
Os novos Skoda Scala e Kamiq 2024 já têm preços definidos em Portugal: começam em 24 147 euros no primeiro e 25 610 euros no segundo.
Se os 1.0 TSI aparecem com preços razoavelmente competitivos - com exceção das versões Monte Carlo -, o mesmo não dá para dizer do 1.5 TSI. Com ambos ultrapassando os 35 mil euros, mesmo trazendo muito equipamento, fica bem difícil justificar o valor.
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