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Renault e Ford firmam parceria para carros elétricos acessíveis e VUL na Europa

Carro elétrico esportivo azul Renault-Ford em showroom com mapa-múndi e recarga ao fundo.

Esse acordo, que tem como objetivo colocar na rua dois carros elétricos acessíveis e, ao mesmo tempo, criar VUL (veículos utilitários leves) para a Ford, tende a não agradar aos parceiros chineses. Para a marca norte-americana, trata-se de uma forma de encarar os próximos desafios e montar uma operação “altamente eficiente”.

O que está em jogo no acordo Renault–Ford

A Renault acaba de firmar uma carta de intenções com a Ford para cooperar no segmento de carros elétricos acessíveis - incluindo a produção de dois modelos. Em paralelo, a fabricante americana também procurou os franceses para desenvolver veículos utilitários leves (VUL) na Europa.

Produção dos elétricos acessíveis: ElectriCity, Ampere e plataforma AmpR Small

O início da fabricação dos dois modelos de elétricos acessíveis está planejado para 2028. A Renault ficaria responsável pela produção na França, dentro do complexo industrial “ElectriCity” da subsidiária Ampere, na região de Altos da França, em Douai, Maubeuge e Ruitz, que reúne 5.000 funcionários.

Como é esperado, esses dois elétricos de preço mais baixo devem ser baseados na plataforma AmpR Small, já utilizada pela R5 e pela R4, além da nova Twingo - o elétrico mais acessível da Renault -, que é desenvolvida na China (com muitas peças chinesas enviadas para a unidade de montagem europeia).

VUL elétricos Renault na mira da Ford

No tema dos VUL, fica evidente que a marca americana está de olho na nova linha recém-anunciada pela montadora francesa, formada por três modelos: o novo Renault Trafic Van E-Tech elétrico, o Renault Estafette E-Tech elétrico e o Renault Goelette E-Tech elétrico.

Os três utilitários leves prometem autonomias de até 450 km, e a Renault reforça o valor do conjunto elétrico para deixar os veículos mais ágeis. Assim, o Renault Trafic E-Tech teria raio de giro de 10,3 m, igual ao do Renault Clio. Na versão L2, o furgão entregaria até 5,8 m² de área de carga. Já no Estafette, os clientes poderão ficar em pé dentro da cabine.

Renault vai fazer a Ford aproveitar (independentemente do que a China diga)

“Renault Group tem orgulho de anunciar uma nova cooperação estratégica com a Ford, uma montadora”, afirmou a fabricante, antes de acrescentar que “essa parceria demonstra a força do nosso know-how em parcerias e nossa competitividade na Europa. No longo prazo, combinar nossas forças com a Ford nos tornará mais inovadores e mais ágeis.”

Do lado da Ford, o CEO da empresa americana, Jim Farley (que reconhece a vantagem acumulada pela indústria automotiva chinesa), declarou que “essa parceria estratégica com o Renault Group representa um passo importante para a Ford e apoia nossa estratégia de construir uma operação altamente eficiente e preparada para os desafios futuros na Europa.”

Sem surpresa, a Ford (que recentemente retirou o Focus do portfólio) pretende viabilizar carros acessíveis com essa aliança, reduzindo fortemente os custos de desenvolvimento e o investimento em linhas de produção adequadas. Em 2025, a Renault lançou seu primeiro modelo baseado em um desenvolvimento feito na China, o que lhe permitiu economizar tempo e dinheiro.

Ao optar pela Renault, a Ford, portanto, abre mão de possíveis parcerias com fábricas chinesas instaladas na Europa, que também poderiam oferecer economias significativas. Resta ver como a China reagirá ao anúncio, enquanto um veículo local já estampava a chamada: “A Renault se beneficia da cadeia de suprimentos chinesa para bloquear carros chineses na Europa”.

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