A elétrica tão tranquila no dia a dia quanto um carro a combustão? Essa é a promessa da nova Mercedes CLA, com autonomia XXL e recarga extremamente rápida. E, na prática, ela realmente impressiona.
Você já conhece o roteiro: um carro elétrico que demora na estação de recarga pode virar um tédio. A Mercedes, porém, estreia uma “variação” igualmente incômoda: o elétrico que recarrega rápido demais. E isso também pode irritar… o seu bolso. Se a nova Mercedes CLA dispara na potência de carga, ela também pode fazer seu gasto subir ao engolir muitos quilowatts-hora.
Uma recarga tão rápida que acaba ficando cara
Com uma potência de carga encostando em 320 kW em corrente contínua (DC) graças à plataforma de 800 V, a alemã repõe energia na bateria de forma eficiente até demais. Ela chegou inclusive a passar do valor teórico, com picos de 340 kW! Eu tive o azar de deixar o carro plugado durante uma parada rápida no banheiro. Quando voltei, havia energia a mais - e cobrada caro. Um balde de água fria… Por outro lado, posso concluir a viagem sem qualquer espera e sem estresse. Convenhamos: isso é excelente.
Autonomia: a Mercedes CLA chega a 500 km em rodovia
O outro ponto que merece aplausos é, claro, a autonomia. Homologada em 792 km no ciclo WLTP, é totalmente possível passar de 500 km em rodovia na velocidade máxima permitida. É um número enorme para uma bateria que nem é gigante (85 kWh). Em vez de simplesmente aumentar o acumulador, a Mercedes preferiu - e com razão - atacar o consumo.
Nunca passamos de 17 kWh/100 km na estrada com menos de 10°C e todos os itens de conforto ligados. O mérito vem de uma aerodinâmica bem trabalhada e de uma surpreendente transmissão de duas marchas. A troca para a segunda, que acontece a 110 km/h, provoca um leve tranco quando se exige bastante do carro. Nada que assuste; em condução suave, a transição praticamente não aparece.
Por que a 250+ continua sendo a melhor escolha da linha
Com 272 cv, as acelerações são boas, mas não chegam a ser absurdas diante de algumas rivais (0 a 100 km/h em 6,7 s). Os 354 cv da versão 350 com tração integral fazem mais sentido para quem busca mais fôlego (0 a 100 km/h em 4,9 s), embora a autonomia caia um pouco (770 km no máximo). Os preços também sobem e, por isso, o modelo 250+ fica bem à frente na nossa preferência.
O conforto agrada na rodovia: o bom isolamento acústico segura bem os ruídos. Os bancos são gostosos, embora falte apoio lateral. Mas eu sou magro como um espaguete; alguém com porte mais “padrão” provavelmente ficará mais satisfeito. Já a calibração da suspensão é firme sem ser seca. Vale lembrar: a CLA não oferece amortecimento adaptativo.
Ao volante: uma Mercedes CLA pesada, mas ágil
O piloto automático adaptativo, que vem de série, funciona muito bem na maior parte do tempo. Ainda assim, pode faltar delicadeza ao se aproximar de um carro mais lento, acionando uma frenagem forte e tardia. Mas quando você assume o volante, a Mercedes CLA revela um comportamento bem agradável. A altura baixa (1,47 m) ajuda a conter a rolagem da carroceria, e a direção responde rápido.
O pedal de freio é fácil de modular, enquanto o eixo traseiro - combinado com a arquitetura de tração traseira - entrega uma mobilidade interessante na traseira. Isso traz uma boa sensação de leveza, mesmo com o peso elevado (2 055 kg a seco). Também conta o fato de o nosso carro, com o pacote AMG Line, usar um chassi específico, alguns milímetros mais baixo, com amortecimento retrabalhado. Dá para notar alguma diferença.
Habitabilidade: concessões impostas por um visual elegante
No visual, a nova CLA não rompe com o que as duas gerações anteriores estabeleceram. Ela ficou mais “comportada” e, de fato, mais lisa, apesar do kit de carroceria que promete mais personalidade. As entradas de ar, menores do que antes, vêm acompanhadas de uma grade estrelada com uma faixa luminosa acima. No fim, uma constelação de 142 estrelas toma conta da dianteira.
De perfil, os volumes aparecem de forma fluida, e a linha de teto caída ajuda a aerodinâmica. Atrás, há outra faixa luminosa. Nada aqui é chocante ou especialmente chamativo. Por dentro, o painel mostra duas telas, que podem virar três mediante o pagamento de 2 100 €. As telas respondem bem, os gráficos são refinados, e o sistema MBUX se destaca pela eficiência.
Um porta-malas difícil de usar na Mercedes CLA
A ergonomia também é correta, e desativar assistentes de condução não vira um sofrimento. Só os comandos táteis no volante conseguem irritar de vez em quando. Em qualidade percebida, o nível é adequado para a categoria, embora alguns materiais brilhantes possam riscar ou marcar rápido. O ponto fraco da Mercedes CLA é a praticidade: a maioria dos porta-objetos é estreita e o porta-luvas é pequeno.
O acesso ao porta-malas de 405 l é pouco prático por causa do recorte da tampa. Ele até é profundo, mas acomodar objetos grandes não será fácil. A versão Shooting Brake, com a tampa traseira (hatch), pode ser decisiva nesse aspecto. Na dianteira, há um compartimento de 101 l para guardar pequenas coisas. O espaço interno também não é enorme: o banco traseiro fica baixo, e a cabeça encosta no teto com facilidade.
Mesmo sem túnel central, o lugar do meio só serve como último recurso, já que assento e encosto são duros. Entre os equipamentos “extras”, chama atenção um som externo artificial, com uma trilha de ar místico, inclusive com o carro parado! Há várias opções para deixar o veículo mais “vivo” e com mais comunicação com o proprietário.
A polêmica: sensores de estacionamento traseiros… por assinatura mensal
Se ela não chama tanto a atenção pelo visual, em compensação “se faz ouvir” na cidade: os sons diferentes surpreendem pedestres. Apesar do comprimento considerável (4,72 m), a CLA segue fácil de manobrar. O problema é a ausência dos sensores de estacionamento, disponíveis apenas via assinatura. 16,90 € por mês, com primeiro mês grátis, é “baratinho”… Sério, estão brincando com quem?
O mais curioso nessa história é que não dá para comprar a função de forma definitiva. Você precisa pagar mês após mês para ter os bipes - e é melhor ter mesmo, para não destruir a bonita grade dianteira. Observando os para-choques, dá até para ver sensores e câmeras já instalados. Ou seja: está tudo pronto para funcionar, mas foi bloqueado de propósito para cobrar, repetidas vezes… Que situação.
Preço: uma oferta atraente na Mercedes
Ao menos, o pacote de série é razoável e o preço inicial desce bem com uma entrada de linha em 48 050 € para a versão 200, com 541 km de autonomia. O nosso carro de teste, bem equipado, vai a 52 900 €, o que continua surpreendentemente atraente para uma Mercedes. As rivais, curiosamente, custam mais e ainda são menos avançadas do ponto de vista técnico. Em preço, Tesla e BYD fogem à regra.
Nossa opinião sobre a nova Mercedes CLA elétrica
Eu já imaginava, mas reforço: com a nova Mercedes CLA, finalmente chegamos ao elétrico tão fácil de usar quanto um modelo a combustão. Autonomia e recarga deixam de ser um problema por um valor que não parece fora da realidade. Os números falam por si: 500 km tranquilamente possíveis na rodovia e mais de 300 km recuperados em 10 minutos de carga.
Com uma carroceria mais elegante do que ousada, o sedã alemão ainda entrega um bom equilíbrio entre conforto e estabilidade, além de um multimídia bem resolvido. É verdade que praticidade não é o seu forte, mas a Shooting Brake contorna isso sem abrir mão demais do estilo. O que pode, de fato, irritar é a política de opções por assinatura. Ainda assim, no conjunto, a nota alta faz sentido.
Mercedes CLA 250+ Limited Edition
52 900 €
9
Verdict
9.0/10
Do que gostamos
- A autonomia recorde
- O consumo muito baixo
- A recarga ultrarrápida
- A estabilidade convincente
- Preços sob controle
Do que gostamos menos
- Porta-malas com acesso difícil
- Espaço traseiro limitado
- Opções por assinatura que irritam
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