Stupid Never Dies chegou chegando em dezembro passado. O anúncio no pré-show do The Game Awards não teria soado estranho numa Hot Topic do fim dos anos 2000: um garoto zumbi e uma garota humana cantando e dançando ao som de uma música de amor chiclete e roqueira, num videoclipe cheio de iconografia de mortos-vivos, rabiscos de gibi e explosões coloridas - e, só no finzinho, uma pancada rápida de gameplay de ação. Aquilo definiu o clima, mas ainda não dava para entender direito como essas duas metades se encaixavam.
Depois de participar de uma sessão de prévia sem jogar, apresentada pelo estúdio GPTRACK50, ficou bem mais claro o que Stupid Never Dies quer ser. Trata-se de um RPG de ação, com combate que alterna estilos, e uma estrutura de roguelite baseada em incursões a uma masmorra lotada de monstros. E tudo isso é completamente embebido em estética pop punk.
Quando perguntei ao chefe do estúdio, Hiroyuki Kobayashi - que já trabalhou em várias séries, incluindo Devil May Cry, Resident Evil e Dragon's Dogma - como a equipa chegou a essa mistura de zumbis com pop punk, ele explicou: "Quando falamos de pop punk. Isso, desde o comecinho do jogo, conforme fomos criando o conceito do jogo, pop punk era o tom que queríamos buscar."
Stupid Never Dies: RPG de ação roguelite com estética pop punk
A história acompanha Davy, um zumbi de nível baixo preso numa masmorra que foi tomada por monstros. Lá dentro, ele encontra uma garota humana, Julia, congelada dentro de um freezer - e fica encantado por ela. O desejo de Davy é vê-la voltar à vida. Então o Dr. Frank, um génio maluco, incentiva Davy a descer cada vez mais fundo na masmorra e conquistar o poder necessário para isso ao derrotar o KOM - o Rei dos Monstros.
Como zumbi, Davy não é exatamente uma força da natureza quando comparado às criaturas estranhas e perigosas do lugar. Ainda assim, ele tem dois caminhos principais para ficar mais forte: morrer e retornar, e absorver as habilidades de inimigos específicos para assumir a forma deles.
Davy, Julia e a caça ao KOM - o Rei dos Monstros
As formas que Davy pode assumir são numerosas - e vimos muitas delas, talvez até em excesso. A forma base é, naturalmente, o Zumbi, com um conjunto mais tradicional de ferramentas de jogos de ação: ataques normais e pesados, um aparo e uma mordida. No entanto, depois de morder certos inimigos, Davy consegue transformar-se neles durante a expedição pela masmorra, embora só possa levar duas formas adicionais por vez.
O Lobisomem entrega uma explosão de velocidade e ferocidade; a Harpia dispara projéteis de penas. O Golem é resistente e firme, girando os braços para mandar inimigos pelos ares. O Vampiro aparece envolto em enxames de morcegos; o Fogo-Fátuo consegue alternar entre o plano físico e o astral; e o Ciclope aposta alto com golpes enormes, daquele tipo tudo-ou-nada. A Fada da Neve talvez tenha sido a minha preferida: ela permite congelar os adversários e depois cortá-los com uma lâmina de gelo - fortalecendo essa lâmina no processo. A forma de Povo do Mar pode mergulhar no chão e criar redemoinhos; o Lich funciona como uma opção de invocador, com amigos esqueletos; e o Demónio distorce a gravidade.
Formas, Body Hacks e progressão roguelite em cada incursão
É muita informação de uma só vez, mas, na prática, essas formas compõem a base de poder de cada tentativa. Aprender como cada uma funciona - e, sobretudo, entender como elas se combinam enquanto você alterna entre elas no meio do combate - é uma parte central de Stupid Never Dies. Some a isso a força extra dos Body Hacks, que adicionam armas que Davy pode usar nas runs, como um Módulo de Mísseis ou a imponente lâmina Massive Edge, e o resultado é uma variedade bem grande de estilos de jogo entre diferentes explorações da masmorra.
"Esse tipo de variedade pode ser muito mais amplo se fizermos este jogo baseado em runs", diz Kobayashi. "É por isso que escolhemos essa estrutura."
Dentro do lado roguelite, Davy acumula um medidor de crescimento de experiência. Em termos simples, cada run acrescenta bónus aos ganhos futuros de experiência na masmorra, de modo que, a cada nova tentativa, Davy sobe de nível um pouco mais rápido. Se numa investida inicial você demoraria para chegar, digamos, ao nível 10, em aventuras seguintes ele pode alcançar o nível 20 no mesmo tempo - ou até em menos.
As runs têm um limite de tempo, mas isso pode acabar sendo positivo se significar que as tentativas posteriores ficam explosivamente - e exponencialmente - mais rápidas.
"Queremos que o jogador experimente um crescimento extremamente rápido", afirma Kobayashi. "Esse é um sistema fundamental do jogo, então, a cada run, você se sente diferente."
Por cima de tudo isso, há um visual saturado e exagerado, com tanta personalidade quanto aquele primeiro trailer. Davy ainda consegue elevar o tom quando entra no modo Davy Burst, uma espécie de supermodo com animações e efeitos visuais deliberadamente exagerados.
Stupid Never Dies é um projeto curioso, que às vezes passa a impressão de ser o roguelite de pancadaria e ação à la Warm Bodies que nunca tivemos. Só que, por baixo do verniz pop punk, existe uma combinação interessante de mecânicas de combate de ação com uma progressão roguelite que acelera rápido. É diferente e estranho na medida certa - e já garantiu um lugar no meu radar entre as joias escondidas de 2026.
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