O nome Nationales Automuseum talvez não seja tão conhecido, mas é exatamente aqui que está aquela que provavelmente é a melhor coleção particular de carros da Europa: a Loh Collection.
Nationales Automuseum em Dietzhölztal, Alemanha
Instalado em Dietzhölztal, uma cidadezinha alemã entre Colônia e Frankfurt, o espaço reúne em exposição cerca de 150 automóveis. A variedade impressiona: é um recorte completo de mais de um século de história do automóvel.
Embora supercarros e carros de competição sejam os que mais chamam atenção, o museu vai muito além disso. O Guilherme Costa conduz esta visita, mas fica claro desde o começo que nada substitui ver de perto: é impossível condensar tudo em pouco mais de 30 minutos de vídeo.
Assista ao tour completo pelo museu:
Loh Collection
A Loh Collection é comentada há muitos anos, mas a visitação pública só se tornou realidade recentemente. O Nationales Automuseum, que abriga o acervo, abriu ao público em julho de 2023 e, de lá para cá, já recebeu mais de 40 mil visitantes.
A coleção pertence ao Prof. Dr. Friedhelm Loh, empresário que começou a reunir carros nos anos 80. Segundo ele, porém, a faísca surgiu muito antes: aos oito anos, quando um Mercedes-Benz 190 SL parou em frente à sua casa.
O encantamento foi imediato, e ele fez uma promessa a si mesmo: quando adulto, teria um carro igual. E cumpriu - já nos anos 80 -, embora o 190 SL que comprou estivesse longe de ser o melhor exemplar. O próprio Loh admite que foi um péssimo negócio, mas a experiência acabou virando aprendizado para as aquisições que viriam depois.
“Desde que comecei a minha coleção nos anos 80, aprendi que os donos dos carros têm algo em comum: personalidades fora da caixa (risos)”.
Prof. Dr. Friedhelm Loh
Com o tempo, ele não parou mais: começou com Mercedes-Benz, depois passou para Porsche. Mais adiante, elevou o nível e trouxe vários Ferrari para a garagem - até perceber que comprar por comprar já não bastava. Loh queria algo além.
Histórias e critérios por trás dos exemplares
O que ele procurava estava nas histórias que acompanhavam cada carro. Talvez por isso, a coleção seja ainda mais valiosa do que o seu preço em si - estima-se que esteja na casa de cerca de 1 bilhão de euros (!).
Na prática, isso quer dizer que nem todo carro tem lugar na Coleção Loh. Além de ser raro ou relevante, Friedhelm Loh se interessa pelo contexto de cada exemplar - e muitas dessas histórias são mesmo inusitadas. Um bom exemplo é o Lamborghini Countach do acervo: comprado originalmente por um hoteleiro de Porto Rico, ele tem uma cor considerada “herética”, Dino Rosso, um tom exclusivo da… Ferrari.
Também há modelos com grande peso histórico, como o primeiro Mercedes-Benz 190E 2.5-16 Evolution II a sair da linha de produção, que originalmente pertenceu a Bruno Sacco, lendário chefe de design da marca. E, ainda, o exemplar n.º 500, o último produzido.
DTM, Le Mans e Fórmula 1 na coleção
Para quem gosta de automobilismo, a Coleção Loh é praticamente um parque de diversões. Estão lá algumas das máquinas mais emblemáticas do DTM - BMW M3, Mercedes-Benz 190E, Alfa Romeo 155, entre outras -, além de protótipos que dominaram as 24 Horas de Le Mans. E também há monopostos de Fórmula 1 que pertenceram a campeões como Schumacher, Lauda e Räikkönen. É conteúdo para ver e rever, com muita coisa para explorar.
Localização escolhida a dedo
O endereço do Nationales Automuseum, em Dietzhölztal, bem no coração da Alemanha, segue a mesma lógica cuidadosa da própria coleção: não foi decidido ao acaso. Friedhelm Loh faz questão de destacar que fica a poucos quilômetros do lugar onde nasceu e cresceu.
Escolher esse ponto também foi a maneira que ele encontrou de retribuir à região. Isso porque o Nationales Automuseum não funciona apenas como museu: ele também atua como espaço educativo para os mais jovens e mantém parcerias com outras instituições, como a Universidade de Nürtingen-Geislingen (HfWU).
“É meu objetivo usar o fascínio pela tecnologia automóvel para entusiasmar os jovens para a tecnologia como uma profissão e incentivá-los a escolher uma educação empolgante”.
Prof. Dr. Friedhelm Loh
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