O Sandero virou referência de volume para a Dacia: em 2024, foi o carro mais vendido da marca e chegou a liderar o ranking europeu de vendas - e, pela primeira vez, também o de Portugal.
Mesmo com uma nova geração prevista apenas para 2027, o Salão de Bruxelas já serviu para antecipar algumas pistas. Em entrevista à Autocar, David Durand, chefe de design da Dacia, contou um pouco do que a marca prepara para o modelo.
Quando perguntaram se a Dacia pretendia transformar o Sandero em um mini-SUV, ele foi direto: “Não. Redesenhar, claro, mas a carroçaria vai manter-se a mesma (hatchback, carro com carroçaria de dois volumes e cinco portas)”.
A questão pode soar estranha, mas faz sentido. Um dos principais rivais do Sandero é o novo Citroën C3, que nesta geração adotou proporções de SUV compacto. E cada vez mais carros incorporam detalhes visuais típicos de SUVs e crossovers.
O próprio design recente da Dacia tem ido nessa direção, até porque os lançamentos mais novos da marca são SUVs - Duster e Bigster -, que acabam influenciando o restante da gama. Ainda assim, Durand garantiu que, apesar da aparência mais robusta que vêm adotando, a Dacia não pretende virar uma fabricante exclusivamente de SUVs.
“O hatchback é o que os clientes precisam: um carro compacto, fácil de estacionar e que consome pouco. O hatchback é a melhor solução.”
David Durand, chefe de design da Dacia
Stepway ainda mais distinto a caminho?
Mesmo assim, dá para entender por que o tema aparece: o Sandero Stepway é um sucesso enorme, funcionando como uma espécie de versão crossover do Sandero. Durand, porém, reforçou que o Stepway é encarado quase como um modelo independente.
“Temos notado que os proprietários do Sandero nem olham para o Stepway. Ao mesmo tempo, quem vem comprar o Stepway não olha para o Sandero. Estamos a falar de públicos diferentes, e temos de ter isso em conta”, concluiu.
Por isso, na próxima geração existe a possibilidade de o Stepway se diferenciar ainda mais do Sandero. Mas há limites. Durand lembrou que fazer dois carros totalmente diferentes significaria duplicar o investimento - e isso acabaria aparecendo no preço final.
Dacia Sandero elétrico vai acontecer
Se a dúvida sobre o formato que o próximo Sandero vai adotar fica praticamente esclarecida, a outra grande pergunta envolve a eletrificação do compacto.
A geração atual tem apenas motorizações 100% a combustão - não existe sequer uma variante mild-hybrid -, mas Jogger, Duster e Bigster já oferecem versões híbridas. E a Dacia segue o mesmo cenário do resto do mercado: há metas de emissões a cumprir.
Durand não confirmou se a próxima geração do Sandero terá ou não motorizações híbridas, mas tudo indica que existirá uma versão 100% elétrica, algo que ele deixou transparecer ao falar de design. Segundo ele, as diferenças entre as duas variantes serão mínimas, como disse à Autocar: “o facto de ser elétrico não significa que precise de um design especial”.
Vai continuar a ser muito barato
O que também parece garantido é que a próxima geração - com lançamento previsto para 2027 - seguirá apostando no preço baixo como um dos seus principais trunfos.
Vale lembrar que, hoje, o Dacia Sandero continua a ser o carro mais barato à venda em Portugal, com preços a partir de 13 205 euros, enquanto o Sandero Stepway começa nos 16 155 euros.
Fonte: Autocar
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