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Bitcoin abaixo de 90 000 dólares: causas da queda e efeitos nos mercados

Homem observando gráfico de alta do bitcoin no laptop com xícara de café e bloco de notas na mesa.

O bitcoin atravessou, nas últimas semanas, um período de forte turbulência que chamou a atenção tanto de investidores quanto de quem acompanha de perto o universo das criptomoedas. O principal ativo do setor saiu de uma alta histórica para uma queda tão rápida quanto preocupante. Nesta terça-feira, o bitcoin chegou a romper para baixo a marca de 90 000 dólares, desencadeando um efeito em cadeia que atingiu todo o mercado cripto e reacendeu dúvidas sobre a robustez dos ativos digitais.

Do recorde de 126 800 dólares ao rompimento dos 90 000

Até outubro de 2025, o bitcoin vinha em sequência de máximas. Em um cenário considerado favorável, o otimismo se apoiava na expectativa de cortes de juros pelo banco central dos Estados Unidos e no apoio político de Donald Trump. O ativo chegou a ultrapassar o patamar simbólico de 100 000 dólares em dezembro de 2024 e, no início de outubro de 2025, alcançou um novo recorde de 126 800 dólares. Nesse momento, a capitalização do bitcoin - e também a do ecossistema cripto como um todo - transmitia uma sensação de vigor. Entre entusiastas, a leitura era de euforia.

A partir de 10 de outubro, o quadro mudou. Uma série de anúncios políticos, com destaque para medidas direcionadas à China, trouxe de volta o temor de uma guerra comercial. Com isso, os mercados globais ficaram mais tensos e parte dos investidores passou a buscar ativos vistos como mais defensivos, reduzindo exposição a instrumentos de maior risco, como o bitcoin.

Liquidação em cascata, alavancagem e 20 bilhões de dólares evaporados

A virada brusca veio acompanhada de um processo de liquidação em cadeia. Muitos participantes estavam posicionados com efeito de alavancagem, apostando na continuidade da alta, e foram obrigados a abandonar essas posições. À medida que o preço caía, plataformas encerravam automaticamente operações alavancadas, o que ampliava ainda mais o fluxo vendedor. No fim, quase 20 bilhões de dólares desapareceram em poucas horas.

Na prática, a queda do bitcoin é resultado de um conjunto de fatores ocorrendo ao mesmo tempo. O receio de desaceleração económica nos Estados Unidos, piorado pela paralisação do governo americano em novembro, aumentou a pressão sobre ativos de risco. Embora o Fed tenha iniciado cortes de juros em setembro, a ausência de novas reduções e a instabilidade política reduziram o apetite dos investidores.

Muitas vezes visto como alternativa ao dólar em momentos de stress, o bitcoin não recebeu desta vez o benefício de “porto seguro”.

Somaram-se ainda outros elementos negativos: desregulamentações no setor, alavancagem elevada nos mercados de derivativos e um enfraquecimento generalizado da confiança. Esse conjunto empurrou o preço para baixo de 100 000 dólares e, depois, para baixo de 90 000. Em cinco semanas, o bitcoin terá perdido 30% do seu valor, o que equivale a apagar todos os ganhos acumulados no ano.

Quais consequências para o bitcoin e os mercados financeiros?

Vale a pena temer pelo futuro do bitcoin? Para alguns analistas, a criptomoeda já demonstrou resiliência em crises anteriores (pandemia, colapso da FTX, ataques e invasões em grande escala). Ainda assim, a volatilidade continua a ser um dos principais obstáculos à adoção.

No campo regulatório, autoridades dos Estados Unidos e da Europa avançam de forma gradual para estabelecer um enquadramento legal que traga mais previsibilidade ao mercado. O setor vem sendo influenciado por iniciativas como o regulamento MiCA, na Europa, e o GENIUS Act, nos Estados Unidos, enquanto Londres trabalha na elaboração das suas próprias regras para 2026.

Apesar da turbulência, investidores institucionais seguem atentos ao cripto, aumentando posições e aguardando um ambiente mais estável. Porém, a falta de um catalisador claro e as incertezas geopolíticas mantêm a dúvida sobre um salto rápido do bitcoin até o fim do ano. A trajetória, portanto, dependerá da capacidade do mercado de absorver esses choques e reencontrar um novo equilíbrio num cenário financeiro dominado por incertezas.

Como sinal dessa cautela, a queda do bitcoin teve efeitos imediatos nas bolsas globais. Embora ações e criptomoedas nem sempre se movam no mesmo ritmo, a volatilidade do bitcoin passou a funcionar como um termómetro do nível de risco que os investidores acreditam estar presente no sistema.

Depois do "mini-crash" de outubro, índices europeus e americanos recuaram de forma abrupta. O Nasdaq, em particular, registou um dos piores pregões do ano, puxado pela desconfiança em relação às empresas de tecnologia e pelo receio de estourar a bolha em torno da inteligência artificial.

E o que esperar a partir daqui? Muitos analistas interpretam a queda do bitcoin como um alerta de que pode haver uma correção mais ampla nos mercados, já que o temor de um efeito dominó em ETFs cripto e fundos de investimento pesa sobre a confiança. Outros defendem que, mais uma vez, o bitcoin vai resistir à tempestade. "Vamos ver…"

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