O passarinho azul parou de voar - em outras palavras: o Twitter agora se chama X. E, convenhamos, pouca gente pode dizer que isso veio do nada.
Quando desembolsou quase 44 bilhões de dólares (cerca de 39 bilhões de euros) para comprar o Twitter, Elon Musk já prometia uma série de mudanças. A mais drástica acabou de se concretizar.
Depois de muitos tweets (ainda dá para chamar assim?) de Musk falando em trocar Twitter por X, o logotipo do icônico pássaro azul - presente desde o lançamento da rede social, em 2006 - foi substituído por um X.
A letra X é uma «paixão» antiga de Musk
Embora o endereço continue sendo twitter.com, quem digitar X.com no seu navegador será direcionado para a rede. Não por acaso: X.com era um domínio que já pertencia ao próprio Elon Musk, que o recomprou do PayPal em 2017.
Thanks PayPal for allowing me to buy back https://t.co/bOUOejO16Y! No plans right now, but it has great sentimental value to me.
- Elon Musk (@elonmusk) July 11, 2017
Na época, como dá para ver no tweet (ou no X…) acima, Musk escreveu que “não tinha planos imediatos” para o domínio, mas que ele tinha “um grande valor sentimental”.
Isso tem um motivo: X.com foi o nome original do PayPal, empresa que Musk vendeu ao eBay em 2002 por 1,5 bilhão de dólares - algo em torno de 1,36 bilhão de euros.
E não para por aí. A letra X aparece em praticamente tudo o que Musk toca: da Tesla (com o Model X) à SpaceX, passando pela X.AI, sua empresa de inteligência artificial.
O X também está bem explícito nos nomes dos dois filhos que ele teve com a cantora canadense Grimes: um menino chamado X Æ A-Xii e uma menina chamada Exa Dark Sideræl.
A Tesla também passa por mudanças
Diferentemente do Twitter, a Tesla não vai trocar de nome - mas pode atravessar uma mudança relevante ao considerar licenciar o FSD (Full Self-Driving), seu software de assistência à condução, para outra montadora.
“Já estamos em discussões iniciais com um grande fabricante sobre o uso do FSD da Tesla”, disse Musk durante o anúncio dos resultados do segundo trimestre, segundo a Automotive News Europe.
“Não estamos tentando ficar com isso (o FSD) só para nós. Estamos mais do que contentes por licenciá-lo para outros”, completou o “chefe” da Tesla. Musk voltou a afirmar que o sistema FSD vai possibilitar uma condução autônoma tão segura quanto a de um motorista humano ainda até o fim deste ano.
Vale lembrar que, em alguns países, como os Estados Unidos da América (EUA), a Tesla já abriu a rede de Superchargers para veículos de outras marcas.
Mais recentemente, fechou um acordo com Ford, GM, Rivian e Nissan para que, a partir do ano que vem, os modelos elétricos dessas fabricantes sejam vendidos nos EUA com um adaptador, permitindo recarga na rede da Tesla.
Isso acontece porque, ao contrário do que se vê na Europa, os Tesla usam nos EUA um padrão próprio, chamado NACS (North American Charging Standard).
No passado, a Tesla já forneceu tecnologia para Toyota e Mercedes-Benz
Se o licenciamento do FSD para outras montadoras se confirmar, não será a primeira vez que a Tesla fornece tecnologia para outras empresas do setor automotivo.
Um exemplo é a segunda geração do RAV4 EV, produzida pela Toyota entre 2012 e 2014, que contava, entre outros componentes, com um pack de baterias e uma unidade motriz fornecida pela Tesla.
Também é difícil ignorar o Mercedes-Benz Classe B Electric Drive, fruto de uma colaboração entre a gigante de Stuttgart e a Tesla. O modelo utilizava um conjunto motriz elétrico e um pack de baterias (o mesmo empregado no Model S da época) da empresa norte-americana.
Essas parcerias não apareceram por acaso: tanto a Toyota quanto a Daimler (hoje Mercedes-Benz Group) já foram investidoras da Tesla.
No caso da Toyota, por exemplo, a companhia japonesa comprou 50 milhões de dólares em ações da Tesla (equivalente a 3% da empresa) em 2010, como parte do acordo que envolveu a venda de uma antiga fábrica da Toyota em Fremont, na Califórnia, nos EUA.
A participação foi mantida até 2016, quando a Toyota vendeu as últimas ações que tinha da Tesla por 481 milhões de dólares, cerca de 435 milhões de euros - depois de uma venda anterior, em 2014, que rendeu aproximadamente 690 milhões de dólares (cerca de 625 milhões de euros).
Já a Daimler adquiriu, em 2010, uma participação de quase 10% na Tesla, em um investimento na casa dos 50 milhões de dólares (45 milhões de euros). As empresas acabaram seguindo caminhos diferentes em 2014, quando a Daimler vendeu todas as suas ações com um lucro de mais de 730 milhões de dólares (aproximadamente 661 milhões de euros).
Fontes: Automotive News Europe, Financial Times
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