A Marinha dos EUA já soma 26 submarinos de ataque comissionados da classe Virginia, mas o número que realmente importa, na visão do Congressional Budget Office (CBO) e de analistas navais, é outro: para atender, ao mesmo tempo, às demandas dos comandantes de combate no Pacífico e no Atlântico, seriam necessários de 66 a 72 submarinos de ataque. A incorporação do USS Idaho (SSN-799), realizada no sábado na Naval Submarine Base New London, ajuda a reduzir esse descompasso - ainda que a distância até a meta siga grande.
A cerimônia também serviu para enquadrar a entrada do navio em serviço dentro do discurso estratégico do governo atual. O secretário interino da Marinha, Hung Cao, afirmou: “Somos uma nação marítima, com litorais tanto no Atlântico quanto no Pacífico. Nosso comércio depende de rotas marítimas seguras”, disse. “A diretriz do presidente Trump para as nossas Forças Armadas é clara: alcançar a paz por meio da força. O USS Idaho se junta à frota pronto para responder em qualquer oceano, a qualquer momento.” O senador por Idaho, James Risch, fez o discurso principal, com a presença do governador Brad Little e do diretor de Reatores Navais, almirante William Houston, completando a comitiva oficial.
O senador James Risch foi o responsável pela fala principal, com o governador Brad Little e o diretor de Reatores Navais, almirante William Houston, compondo a bancada oficial. Houston destacou o padrão técnico atingido pela unidade e sua prontidão para operar. O comandante Chad J. Guillerault, primeiro comandante do Idaho, falou diretamente à tripulação. “A conexão com Idaho é mais do que um nome - é um legado que renasce hoje”, afirmou. “É uma honra ser o comandante comissionante de uma unidade com tanta tradição e, acima de tudo, liderar uma tripulação que demonstrou um nível superior de desempenho.” A madrinha, Teresa Stackley, então deu a ordem tradicional para guarnecer o navio e trazê-lo à vida. “Este momento é para você, comandante Guillerault, e sua tripulação”, disse. “Saiba que, quando vocês navegarem, meu coração navegará com vocês.”
O comandante Chad J. Guillerault, primeiro comandante do Idaho, reforçou na cerimônia a linhagem histórica associada ao nome. Entre seus antecessores está o USS Idaho (BB-42), um encouraçado da classe New Mexico que ganhou sete “battle stars” na campanha do Pacífico - incluindo Iwo Jima e Okinawa. A madrinha, Teresa Stackley, deu a ordem tradicional para guarnecer o navio e trazê-lo à vida. O SSN-799 é a quinta embarcação da Marinha dos EUA a levar o nome Idaho.
O Idaho é um submarino da classe Virginia do Block IV, construído sob o arranjo de cooperação de longa data entre a General Dynamics Electric Boat e o estaleiro Newport News Shipbuilding, da Huntington Ingalls Industries. O Block IV trouxe mudanças de projeto voltadas a reduzir as necessidades de manutenção ao longo do ciclo de vida e aumentar a disponibilidade operacional - uma resposta direta aos problemas de prontidão que mantiveram parte da frota de submarinos de ataque fora de serviço por períodos prolongados. A Marinha aceitou a entrega do SSN-799 em dezembro de 2025; a incorporação ocorreu após o período padrão de testes e avaliação pós-entrega.
Com deslocamento em torno de 7.800 toneladas e cerca de 377 pés (aprox. 115 m) de comprimento, os submarinos da classe Virginia utilizam um reator nuclear que não precisa de reabastecimento de combustível durante toda a vida útil do navio - uma escolha de projeto que os diferencia dos mais antigos da classe Los Angeles e reduz, no longo prazo, a demanda por infraestrutura no sistema de estaleiros. A classe reúne baixa assinatura (stealth) avançada, uma seção de carga útil flexível e capacidades de apoio a operações especiais, o que a torna a plataforma preferida do DoD para ambientes submarinos contestados.
A incorporação acontece enquanto a via submarina do AUKUS mantém os prazos de produção da classe Virginia sob escrutínio. A futura aquisição, pela Austrália, de submarinos SSN-AUKUS - e a possibilidade de baseamento rotativo de submarinos Virginia dos EUA na HMAS Stirling, perto de Perth - adiciona pressão sobre uma base industrial naval que já tem dificuldade para sustentar o ritmo contratado de duas unidades por ano. A entrega e a incorporação do Idaho dentro do cronograma viram, assim, um dado que a Marinha certamente vai querer destacar.
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