O Volkswagen Taigo 1.5 TSI se apresenta como o Taigo mais forte à venda, sustentado pelos 150 cv declarados.
Por isso mesmo, é o Taigo com melhor desempenho e, na unidade avaliada com pacote R-Line, ainda ganha um visual mais esportivo, que «casa» bem com a proposta mais dinâmica.
Não por acaso, o Volkswagen Taigo - lançado no começo do ano - aposta pesado justamente na aparência mais arrojada, afinal este é o primeiro “SUV-Coupé” da marca alemã.
Diante disso, fica a dúvida: será que este é o Taigo que faz mais sentido, ou o 1.0 TSI de 110 cv (testado no início do ano pelo Guilherme Costa) já dá conta do recado? Ou será que esses dois pontos - desempenho e estilo - acabam sendo pouco relevantes diante das demais qualidades do SUV alemão?
Diferente por fora…
Mais baixo que o T-Cross - 1,515 m contra 1,558 m - e 15 cm mais comprido, o Taigo chama bem mais atenção no trânsito do que o «irmão» de vocação mais familiar.
É verdade que a frente lembra visualmente a do T-Cross, mas o perfil não poderia ser mais diferente, muito por causa da linha de teto descendente, que dá ao Taigo uma personalidade bastante distinta.
Na configuração R-Line, alguns detalhes ajudam ainda mais o Taigo a se destacar, como as rodas de 18″ (opcionais; de série ele vem com 17″) e os emblemas “R” que identificam a versão.
… por dentro nem por isso
Se por fora é difícil confundir o Taigo com o T-Cross, por dentro a história muda. É impossível ignorar o quanto o desenho do painel do Taigo é próximo do que se vê no T-Cross.
Há, sim, alguns acabamentos um pouco mais agradáveis - por exemplo, na parte superior do painel o material é mais macio e gostoso ao toque - e também mais possibilidades de personalização, mas o restante é essencialmente igual.
Na prática, isso significa uma montagem acima de críticas e uma ergonomia bem resolvida, com uma exceção: os comandos táteis do ar-condicionado, que durante a condução não são tão intuitivos quanto comandos físicos giratórios.
Em espaço interno, a plataforma MQB-A0 «dá frutos». Atrás, dá para levar dois adultos (ou duas cadeirinhas infantis) com conforto. Já o porta-malas, com 438 l, fica a apenas sete litros da capacidade do T-Roc.
O motor certo?
Se o R-Line combina com a proposta mais dinâmica do Taigo no visual externo e interno, é dirigindo o SUV alemão que esse «casamento» entre o motor mais forte e a linha mais esportiva passa a fazer ainda mais sentido.
Sem o «nervo» do 1.0 Ecoboost de 155 cv que testei há pouco tempo no Ford Puma, o 1.5 TSI ainda assim não decepciona e entrega boa disponibilidade desde baixa rotação - os 250 Nm de torque aparecem entre as 1500 rpm e as 3500 rpm.
Sem modos de condução para «mascarar» a resposta, este motor permite manter ritmos mais alinhados ao visual dinâmico do Taigo e, sobretudo, bem superiores aos que o 1.0 TSI consegue acompanhar.
Ajudando nesse conjunto está o câmbio DSG (dupla embreagem) de sete marchas, ao qual só dá para repetir os elogios de sempre: é rápido, suave e com escalonamento bem acertado.
Assim como eu havia dito quando avaliei o T-Roc 1.5 TSI, também no Taigo este 1.5 TSI acaba sendo a alternativa mais indicada para quem não roda majoritariamente na cidade.
As retomadas são mais vigorosas e as ultrapassagens ficam mais fáceis em estrada e autoestrada e, talvez mais importante, o consumo não sofre tanto quanto se poderia imaginar.
Fechei o teste com média de 5,6 l/100 km, marca obtida em trajetos que foram de longos trechos em autoestrada, com velocidades de cruzeiro elevadas, até situações típicas de «pára-arranca» urbano.
Parte dessa frugalidade vem do sistema que desativa dois dos quatro cilindros quando eles não são necessários - e cuja atuação é quase imperceptível.
Dinâmica à altura do visual
Com o motor mais potente, dá para aproveitar melhor as capacidades dinâmicas do SUV alemão. Em estrada sinuosa, o Taigo acabou se mostrando um dos B-SUV mais interessantes de dirigir.
Não, ele não é tão divertido quanto o Puma, porque a proposta da Volkswagen aqui é outra: a eficiência.
As curvas aparecem em sequência a um bom ritmo e apenas o conjunto de pneus da unidade testada obrigou a «refrear» a velocidade de contorno. Já a direção, precisa e com peso adequado, passa confiança na hora de encarar trechos sinuosos. E a suspensão consegue um acerto equilibrado entre conforto e comportamento.
Para fechar, a estabilidade elevada em autoestrada deixa claro que parte do desenvolvimento do Taigo precisou passar pelas autobahn, as autoestradas alemãs.
É o carro certo para si?
Derivado do T-Cross, o Volkswagen Taigo soma aos trunfos do «irmão» mais familiar - bom espaço interno e alta sensação de robustez - um desenho mais dinâmico e atraente, além de um porta-malas maior.
Em relação às outras duas motorizações da gama - o 1.0 TSi de 95 cv ou 110 cv -, este 1.5 TSI de 150 cv leva vantagem em todos os critérios de avaliação: entrega melhores prestações e ainda consegue ser mais econômico do que o mil de três cilindros usado nos outros Taigo.
Claro que, com um motor 50% maior, o Taigo 1.5 TSI também fica bem mais caro do que o equivalente 1.0 TSI, por conta do ISV (imposto português).
São 4000 euros de diferença - empurrando o preço para mais de 35 000 euros, um valor muito elevado -, o que pode acabar sendo uma distância grande demais para justificar o salto para aquele que é o motor mais adequado ao Taigo.
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