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Comissão Europeia e a meta de 100% de emissões zero em 2035: o recuo inevitável

Carro esportivo elétrico cinza com design futurista exibido em showroom moderno.

O que a Comissão Europeia vai admitir hoje

A Comissão Europeia deve anunciar hoje algo que, na prática, já estava claro havia pelo menos quatro anos: a meta de 100% de emissões zero em 2035, do jeito que foi desenhada, não se sustentava. A ideia de eletrificar tudo, por decreto e com um cronograma inflexível, passou por cima da realidade industrial, econômica e social da Europa. E, mais cedo ou mais tarde, seria obrigada a voltar atrás.

Quando a proibição dos motores de combustão foi aprovada, em 2022, já existiam informações suficientes para entender que o plano, como estava, não ia se cumprir.

O alerta de Thierry Breton e a liberdade tecnológica

Na época, Thierry Breton, comissário europeu para o mercado interno, fez um aviso direto e pediu: “não deixem de produzir motores de combustão”. Também chamou atenção para o risco de perder, no mínimo, 600 mil empregos, lembrando que não dá para ser intransigente diante da maior transformação industrial da história da Europa.

O alerta foi deixado de lado, mas as palavras dele vêm repercutindo no site da Razão Automóvel desde então - dá para relembrar tudo o que escrevemos neste artigo. Não como um manifesto contra o carro elétrico, que certamente seguirá aumentando participação de mercado, e sim como um manifesto a favor da liberdade tecnológica.

Agora, diante do inevitável, a mudança nessa meta de 2035 finalmente deve ser apresentada hoje: os motores de combustão vão continuar; falta entender em quais condições - Atualização: a Comissão Europeia anunciou as novas regras sobre as emissões e sim, o motor de combustão vai continuar. Leia mais detalhes no artigo abaixo:

O custo do atraso para a Europa

Mas a matemática dessa novela não se mede em horas; se mede em meses e anos. Por quatro anos, a União Europeia tratou como um jogo o principal motor econômico do continente. Fez isso com uma indústria que emprega mais de 13 milhões de pessoas, mantém regiões inteiras e representa uma parcela decisiva das exportações europeias.

E não se trata apenas de escala econômica: há uma questão moral nisso. A UE colocou em risco a mobilidade de mais de 150 milhões de europeus que dependem do automóvel para trabalhar, viver e se deslocar. Tudo em nome de uma certeza política que nunca foi técnica - foi, desde o começo, ideológica.

Seja qual for o conteúdo do anúncio de hoje, não dá para chamar de maturidade política. Será um reconhecimento imposto de que tempo foi desperdiçado - como quando eu insisto com meu filho para pedir desculpas por alguma brincadeira. No total, quatro anos de uma estratégia que já se sabia inviável.

Cada ano de atraso custou investimento, competitividade e credibilidade para as marcas e para as economias europeias. Em que dimensão? A conta ainda não apareceu. Mais uma vez decidimos tarde, mas será que ainda decidimos a tempo?

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