Pular para o conteúdo

Comissão Europeia deve rejeitar venda de híbridos plug-in (PHEV) após 2035, diz Automotive News Europe

Carro elétrico esportivo verde em showroom moderno com janelas grandes e carregador na parede.

A Comissão Europeia (CE) deve contrariar os pedidos das montadoras para autorizar a venda de híbridos plug-in (PHEV) depois de 2035, mesmo diante de uma eventual flexibilização das metas de emissões, segundo a Automotive News Europe.

O pano de fundo é um estudo da organização não governamental Transport & Environment (T&E), que sustenta que os PHEV estão longe de representar a alternativa “limpa” que costumam apresentar. De acordo com a entidade, mesmo quando operam no modo elétrico, esses veículos continuam queimando combustível e liberando dióxido de carbono (CO₂) em níveis muito acima do indicado nos testes oficiais: 68 g/km, o que equivale a 8,5 vezes mais.

Segundo o estudo, isso acontece porque, ainda no modo 100% elétrico, os híbridos plug-in acionam o motor a combustão com frequência (com consumos na ordem dos 3 l/100 km), já que o motor elétrico tem pouca potência.

As conclusões entram em choque com a percepção dos consumidores europeus que, como veremos adiante, vêm escolhendo cada vez mais veículos PHEV.

“Os híbridos plug-in são uma das maiores fraudes da história da indústria automóvel. Emitem quase tanto como os automóveis a gasolina. A neutralidade tecnológica não pode significar ignorar a realidade de que, mesmo após uma década, os híbridos plug-in nunca cumpriram o que prometeram”, disse Lucien Mathieu, diretor de carros na T&E.

Mais autonomia elétrica, mais emissões

O relatório também aponta um problema ligado à autonomia elétrica. “As emissões dos híbridos plug-in também estão a aumentar devido à tendência crescente de aumentar as autonomias”. Isso porque, na visão da organização, ampliar a autonomia exige uma bateria maior; com isso, o carro fica mais pesado e, inevitavelmente, passa a consumir mais.

“Híbridos plug-in com uma autonomia elétrica acima de 75 km emitem, em média, mais dióxido de carbono, do que aqueles com uma autonomia entre 45 e 75 km”, mostram os dados.

Mais caros de usar e comprar

Além da questão ambiental, a T&E afirma que os PHEV pesam mais no bolso do motorista. Como o consumo real de combustível é superior ao esperado, isso se traduziria em um custo adicional de cerca de 500 euros por ano.

No preço de compra, o estudo também destaca a diferença: o valor médio de um híbrido plug-in na Alemanha, França e Reino Unido em 2025 é de 55 700 euros - aproximadamente 15 200 euros acima do preço médio de um carro 100% elétrico, de acordo com a Bloomberg Intelligence.

Ainda assim, o comportamento do mercado sugere uma avaliação diferente dessa tecnologia. Em grande parte da Europa, a aquisição de híbridos plug-in vive um “boom”. De janeiro a agosto, as vendas de híbridos plug-in na União Europeia (UE) avançaram 27,2% em relação ao mesmo período do ano passado, chegando a 631 783 unidades, segundo números da ACEA.

Híbridos plug-in para depois de 2035?

Há anos, as montadoras europeias defendem que as metas de emissões sejam suavizadas - inclusive com a permissão para vender híbridos plug-in após 2035, quando a UE só permitirá a comercialização de carros novos 100% elétricos.

Com a norma Euro 6e-bis, mudou a forma de medir as emissões dos híbridos plug-in. A distância do teste foi ampliada de 800 km para 2200 km e o “fator de utilização”, que estima o uso em modo elétrico, passou a ter menos peso. Para a organização, isso cria as condições ideais para favorecer essa solução tecnológica.

“Enfraquecer as regras para os híbridos plug-in é como furar o casco da lei europeia de CO₂ dos automóveis. Em vez de orientar o mercado para carros zero emissões acessíveis, os construtores vão inundá-lo com híbridos plug-in caros e poluentes. Isso ameaça a certeza de investimento em elétricos de que o mercado tanto precisa”, concluiu Mathieu.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário