Dá para medir a força do Mario por um detalhe curioso: hoje ele é o rosto mais reconhecível dos games, mas lá em 1981, no Donkey Kong, nem sequer aparecia no título. Essa “injustiça” só foi corrigida de vez em 2004, com Mario vs. Donkey Kong, um puzzle de rolagem lateral pensado para manter vivo o espírito do fliperama clássico. Agora, duas décadas depois, o jogo ganha uma nova versão no Nintendo Switch - e tanto a rivalidade com o Donkey Kong quanto a estrutura do gameplay envelheceram melhor do que eu esperava.
A história é simples e funciona como desculpa perfeita para a série de desafios: a loja de brinquedos fica sem os bonecos do Mario, o Donkey Kong perde a cabeça na fábrica e sai levando um saco cheio. O Mario vai atrás, e cada fase vem dividida em duas partes. Primeiro, você precisa pegar a chave que abre a porta por onde o Donkey Kong escapou. Em seguida, o objetivo é recuperar o brinquedo que ele deixou para trás. É uma fórmula direta, repetida sem medo - mas sempre com variações suficientes para deixar cada fase com cara de novidade.
Nos quatro mundos que pude testar, o que mais me chamou atenção foi o cuidado no design dos quebra-cabeças: eu vivia alternando entre surpresa e satisfação ao entender a lógica de cada etapa. Mesmo com apenas seis fases por mundo, sobra espaço para explorar bem o “truque” principal de cada área. No Donkey Kong Jungle, por exemplo, há muitas cordas para escalar, no estilo de Donkey Kong Jr., mas cada fase encaixa uma novidade - como rinocerontes que você pode montar ou macacos com rabos que servem de apoio para subir. Nem todas as fases são difíceis, porém todas prendem a atenção (o que, honestamente, é bem mais raro). E mesmo quando eu sacava a solução com uma olhada rápida, ainda era gostoso correr, pular e escalar até a saída, graças à variedade e à criatividade das ideias.
Como alguém que não jogou o original no Game Boy Advance, eu também não esperava o quanto o platforming pesa no resultado. Fiel ao que a gente conhece, o Mario tem muita mobilidade e, com coisas como o pulo com giro, a parada de mão e o pulo triplo, deu para atravessar certas partes por rotas que quase parecem “fora do planejado”, pulando seções com saltos bem precisos. Ainda assim, essas opções não quebram o jogo; os puzzles mais puxados exigem mais raciocínio do que dedo rápido, então isso vira um tempero extra para quem quer explorar. No fim, é aquele tipo de jogo que te faz se sentir esperto - e esse é, no fundo, o objetivo do gênero.
A versão de Switch traz visuais e trilha atualizados (menção honrosa para os saxofones do Mundo 1), mas a Nintendo também incluiu conteúdo novo. São dois mundos inéditos, Slippery Summit e Merry Mini-Land, elevando o total de seis para oito. Há ainda um modo casual, que remove o cronômetro e coloca checkpoints nas fases: quando o Mario morre, ele volta em uma bolha até a bandeira, em vez de reiniciar a fase inteira. O melhor é que isso não reduz o desafio do quebra-cabeça, só alivia a parte de plataforma - que pode pegar muita gente, especialmente nas fases mais longas e mais avançadas, onde dá para entender perfeitamente quem não quer repetir o mesmo trecho várias vezes após morrer. O jogo também conta com modo cooperativo, adicionando um Toad jogável para quem precisa de uma mão extra ou quer dividir a experiência com um amigo.
Antes desta prévia, Mario vs. Donkey Kong sinceramente não era um jogo que eu tinha muito no radar. Mas depois de colocar as mãos em alguns mundos, fiquei empolgado para ver o lançamento completo. Com puzzles bem pensados e diferentes, fases adicionais e modos acessíveis (casual e co-op), esse título de 2004 realmente parece novo em folha.
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