A Volvo apresentou os resultados financeiros do terceiro trimestre (julho a setembro) e a leitura inicial é direta: o plano de reestruturação anunciado em maio já começa a aparecer nas contas.
Mesmo com menos carros emplacados do que em 2024 - e com a receita acompanhando essa queda - a montadora aumentou o lucro e também melhorou a margem operacional.
Håkan Samuelsson, diretor-executivo da Volvo, voltou ao cargo interrompendo a aposentadoria (assumiu a função em 1º de abril deste ano) e as medidas definidas por ele já estão gerando efeitos concretos.
Plano de reestruturação da Volvo: cortes e metas
Vale lembrar que a reestruturação tem como objetivo enxugar os custos anuais em 18 mil milhões de coroas suecas (1,6 mil milhões de euros). Entre as ações de maior impacto está a eliminação de 3000 postos de trabalho, principalmente na Suécia, atingindo todas as áreas. A conclusão do plano está prevista para o próximo trimestre (outubro a dezembro).
Vamos a números
No terceiro trimestre de 2025, a Volvo Cars vendeu 160 514 veículos no mundo, uma queda de 7% em comparação com o mesmo período de 2024.
Vendas eletrificadas e participação dos 100% elétricos
Do total vendido, 45% foram veículos eletrificados (elétricos e híbridos plug-in), abaixo dos 48% registrados no terceiro trimestre de 2024. Considerando apenas os modelos 100% elétricos, a participação recuou de 25% para 22% neste ano.
Receita, lucro e margem operacional
Com o volume menor, a receita também sentiu o impacto: 86,4 mil milhões de coroas suecas (7,849 mil milhões de euros), contra 92,8 mil milhões de coroas suecas (8,432 mil milhões de euros) no período equivalente.
Ainda assim, o programa de corte de custos da Volvo Cars evitou perda de rentabilidade - e, na prática, elevou o resultado. O lucro de 6,4 mil milhões de coroas suecas (581 milhões de euros) no terceiro trimestre ficou acima dos 5,8 mil milhões de coroas suecas (527 milhões de euros) do ano anterior. A margem operacional também avançou, de 6,2% para 7,4%.
Por fim, o lucro por ação também cresceu no terceiro trimestre deste ano em relação ao ano passado: 0,159 euros contra 0,128 euros.
O anúncio destes resultados, melhores que o esperado, fizeram as ações da Volvo Cars disparar: à data da publicação deste artigo estavam a subir 41%.
Resiliência
O bom desempenho do trimestre, porém, não significa alívio total na pressão. A própria Volvo reconhece que, no curto prazo, a tendência é de aumento dos desafios, já que os fatores macroeconômicos continuam presentes.
As tarifas de importação dos EUA seguem como o entrave mais relevante, porque uma parcela grande da produção da Volvo está concentrada na Europa e na China. Mesmo assim, a empresa chama atenção para o acordo recente entre EUA e União Europeia, que definiu as tarifas em 15%, “oferecendo a necessária clareza e reduzindo os custos de importação dos veículos produzidos na UE”.
Para o último trimestre do ano, a expectativa da Volvo é que os efeitos favoráveis do plano de reestruturação fiquem ainda mais visíveis.
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